{"id":116,"date":"2025-08-26T11:14:34","date_gmt":"2025-08-26T14:14:34","guid":{"rendered":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=116"},"modified":"2025-08-26T11:17:12","modified_gmt":"2025-08-26T14:17:12","slug":"o-nao-no-casamento-civil-brincadeira-ou-nulidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=116","title":{"rendered":"O \u201cN\u00e3o\u201d no Casamento Civil: Brincadeira ou Nulidade?"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Paulo Ivo Rodrigues Neto<\/p>\n\n\n\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o do casamento civil \u00e9 um dos atos mais solenes do Direito de Fam\u00edlia, pois envolve a constitui\u00e7\u00e3o da entidade familiar e a gera\u00e7\u00e3o de direitos e deveres entre os c\u00f4njuges. No imagin\u00e1rio popular, circula a \u201cbrincadeira do n\u00e3o\u201d no momento da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade diante do Juiz de Paz. Ocorre que, em termos jur\u00eddicos, um \u201cn\u00e3o\u201d proferido nesse instante tem efeito imediato: o impedimento da realiza\u00e7\u00e3o do casamento. Mesmo que a parte alegue, posteriormente, tratar-se de uma \u201cpiada\u201d, a manifesta\u00e7\u00e3o negativa \u00e9 levada em sua literalidade, anulando a solenidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Marco Legal<\/h2>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Civil de 2002, em seu artigo 1.535, determina que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPresentes os nubentes, em pessoa ou por procura\u00e7\u00e3o, perante o juiz de paz, este, em audi\u00eancia p\u00fablica, os declarar\u00e1 casados, depois de terem respondido afirmativamente \u00e0 pergunta sobre sua vontade de estabelecer v\u00ednculo conjugal.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A lei \u00e9 clara: a <strong>resposta deve ser afirmativa<\/strong>. A aus\u00eancia de resposta ou a resposta negativa impede a forma\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo. O casamento somente existe juridicamente se ambas as partes confirmarem sua vontade expressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a manifesta\u00e7\u00e3o deve ser <strong>livre de v\u00edcios<\/strong>, conforme os artigos 138 e seguintes do C\u00f3digo Civil, que tratam do erro, dolo, coa\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Efeito da Brincadeira<\/h2>\n\n\n\n<p>A \u201cbrincadeira do n\u00e3o\u201d equivale juridicamente a uma <strong>recusa expressa<\/strong>. O Juiz de Paz n\u00e3o possui discricionariedade para interpretar a resposta como uma piada ou para \u201cdar prosseguimento\u201d \u00e0 solenidade. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 de garantidor da legalidade.<br>Portanto, mesmo que a pessoa posteriormente alegue \u201cera brincadeira\u201d, o efeito jur\u00eddico j\u00e1 ocorreu: <strong>o casamento n\u00e3o se realizou<\/strong>. Para que seja poss\u00edvel o matrim\u00f4nio, ser\u00e1 necess\u00e1rio novo procedimento, com habilita\u00e7\u00e3o e nova solenidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Import\u00e2ncia da Seriedade do Ato<\/h2>\n\n\n\n<p>O casamento n\u00e3o \u00e9 apenas uma festa ou evento social, mas um ato jur\u00eddico com consequ\u00eancias patrimoniais, sucess\u00f3rias e pessoais. A formalidade da resposta afirmativa garante a certeza da vontade. Assim, a jurisprud\u00eancia e a doutrina entendem que <strong>n\u00e3o h\u00e1 margem para interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas<\/strong> no momento da declara\u00e7\u00e3o de vontade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/h2>\n\n\n\n<p>O famoso \u201cn\u00e3o\u201d diante do Juiz de Paz, ainda que em tom de brincadeira, <strong>tem efeitos jur\u00eddicos s\u00e9rios e imediatos<\/strong>: impede a celebra\u00e7\u00e3o do casamento. Essa situa\u00e7\u00e3o revela a import\u00e2ncia da seriedade do ato matrimonial e refor\u00e7a a necessidade de que os nubentes compreendam as consequ\u00eancias de sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A li\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 que o <strong>Direito n\u00e3o brinca com o consentimento matrimonial. O \u201csim\u201d deve ser claro, livre e inequ\u00edvoco<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Ivo Rodrigues Neto A celebra\u00e7\u00e3o do casamento civil \u00e9 um dos atos mais solenes do Direito de Fam\u00edlia, pois envolve a constitui\u00e7\u00e3o da entidade familiar e a gera\u00e7\u00e3o de direitos e deveres entre os c\u00f4njuges. 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