{"id":156,"date":"2025-11-12T11:27:29","date_gmt":"2025-11-12T14:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=156"},"modified":"2025-11-12T11:29:01","modified_gmt":"2025-11-12T14:29:01","slug":"a-reforma-tributaria-e-o-novo-risco-penal-do-contribuinte-o-nao-recolhimento-automatico-como-crime-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=156","title":{"rendered":"A Reforma Tribut\u00e1ria e o Novo Risco Penal do Contribuinte: o n\u00e3o recolhimento autom\u00e1tico como crime fiscal"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Paulo Ivo Rodrigues Neto<\/p>\n\n\n\n<p>A Emenda Constitucional n\u00ba 132\/2023, que instituiu a Reforma Tribut\u00e1ria, foi celebrada como um avan\u00e7o estrutural para simplificar o sistema fiscal brasileiro. O discurso p\u00fablico concentrou-se na unifica\u00e7\u00e3o de tributos, na promessa de neutralidade e na redu\u00e7\u00e3o da burocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, uma quest\u00e3o pouco debatida come\u00e7a a emergir: a <strong>automatiza\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o<\/strong> dos novos tributos \u2014 IBS e CBS \u2014 trar\u00e1 consigo uma <strong>nova forma de responsabiliza\u00e7\u00e3o penal<\/strong> para contribuintes e gestores que, mesmo sem inten\u00e7\u00e3o, <strong>n\u00e3o efetuarem o recolhimento devido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o modelo de <strong>cobran\u00e7a autom\u00e1tica<\/strong> e <strong>integra\u00e7\u00e3o digital dos fiscos<\/strong>, o n\u00e3o repasse ou a falha no recolhimento poder\u00e1 configurar <strong>crime contra a ordem tribut\u00e1ria<\/strong>, equiparando-se ao \u201capropriar-se de valores de terceiros\u201d \u2014 como j\u00e1 ocorre com o ICMS declarado e n\u00e3o pago, ap\u00f3s o entendimento firmado pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica do IBS e da CBS baseia-se em <strong>transa\u00e7\u00f5es digitais integradas<\/strong> e <strong>recolhimento autom\u00e1tico<\/strong>, muitas vezes intermediado por <strong>plataformas, institui\u00e7\u00f5es financeiras ou sistemas fiscais eletr\u00f4nicos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a figura tradicional do \u201clan\u00e7amento por homologa\u00e7\u00e3o\u201d perde espa\u00e7o para um modelo em que o <strong>pr\u00f3prio sistema calcula e exige o tributo<\/strong> \u2014 o contribuinte apenas confirma e paga.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o, aparentemente ben\u00e9fica, traz um ponto de inflex\u00e3o: <strong>a inadimpl\u00eancia deixa de ser mera omiss\u00e3o cont\u00e1bil<\/strong> e passa a ser <strong>descumprimento direto de obriga\u00e7\u00e3o automatizada<\/strong>, facilmente identific\u00e1vel e imput\u00e1vel ao respons\u00e1vel legal da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da inadimpl\u00eancia civil \u00e0 infra\u00e7\u00e3o penal<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O precedente aberto pelo Supremo Tribunal Federal em 2019 consolidou o entendimento de que <strong>deixar de repassar ICMS declarado<\/strong> configura <strong>crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita tribut\u00e1ria<\/strong>, ainda que sem fraude, dolo de sonega\u00e7\u00e3o ou falsifica\u00e7\u00e3o de documentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"padding-top:0;padding-right:var(--wp--preset--spacing--40);padding-bottom:0;padding-left:var(--wp--preset--spacing--40)\"><blockquote><p>Com a Reforma Tribut\u00e1ria, esse paradigma tende a se expandir.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>O n\u00e3o recolhimento do <strong>IBS ou CBS<\/strong> \u2014 tributos de natureza compartilhada e automatizada \u2014 poder\u00e1 ser interpretado como <strong>reten\u00e7\u00e3o indevida de valores de terceiros<\/strong>, especialmente quando o sistema de arrecada\u00e7\u00e3o for capaz de comprovar a opera\u00e7\u00e3o e o valor devido em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>Empres\u00e1rios, administradores e respons\u00e1veis cont\u00e1beis devem estar atentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova arquitetura tribut\u00e1ria pode <strong>transformar falhas operacionais em condutas criminaliz\u00e1veis<\/strong>, sobretudo em empresas que centralizam fluxos digitais ou que dependem de integra\u00e7\u00f5es automatizadas com o fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma quest\u00e3o cont\u00e1bil, passa a ser <strong>um problema de compliance tribut\u00e1rio e responsabilidade penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria brasileira \u00e9 inevit\u00e1vel e necess\u00e1ria. Mas a pressa em automatizar a arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode suprimir garantias constitucionais b\u00e1sicas, como o <strong>devido processo legal<\/strong>, o <strong>princ\u00edpio da culpabilidade<\/strong> e a <strong>distin\u00e7\u00e3o entre inadimpl\u00eancia e sonega\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dever da advocacia e das entidades empresariais <strong>alertar e preparar o contribuinte<\/strong> para essa nova realidade: <strong>na era da automa\u00e7\u00e3o fiscal, o erro pode se tornar crime.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paulo Ivo Rodrigues Neto<\/strong><br>Advogado \u2013 OAB\/PR 68493<br>Especialista em Direito Empresarial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Ivo Rodrigues Neto A Emenda Constitucional n\u00ba 132\/2023, que instituiu a Reforma Tribut\u00e1ria, foi celebrada como um avan\u00e7o estrutural para simplificar o sistema fiscal brasileiro. 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