{"id":269,"date":"2026-05-05T11:44:41","date_gmt":"2026-05-05T14:44:41","guid":{"rendered":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=269"},"modified":"2026-05-05T11:44:41","modified_gmt":"2026-05-05T14:44:41","slug":"stf-tema-1-389-e-o-alerta-as-empresas-contrato-bem-feito-nao-corrige-operacao-mal-conduzida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bittencourtrodrigues.adv.br\/?p=269","title":{"rendered":"STF, Tema 1.389 e o alerta \u00e0s empresas: contrato bem feito n\u00e3o corrige opera\u00e7\u00e3o mal conduzida"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Paulo Ivo Rodrigues Neto<\/p>\n\n\n\n<p>A recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, noticiada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18\u00aa Regi\u00e3o, traz um alerta relevante para empresas que contratam prestadores de servi\u00e7os, aut\u00f4nomos, representantes, consultores ou pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao delimitar o alcance do Tema 1.389 da repercuss\u00e3o geral, o STF sinalizou que a exist\u00eancia de contrato civil ou comercial n\u00e3o impede, por si s\u00f3, que a Justi\u00e7a do Trabalho analise, no caso concreto, a realidade da rela\u00e7\u00e3o mantida entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem institucional \u00e9 clara: <strong>a seguran\u00e7a jur\u00eddica empresarial n\u00e3o depende apenas da assinatura de bons contratos, mas da coer\u00eancia entre o que foi contratado e o que efetivamente acontece na rotina operacional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tema 1.389 trata de discuss\u00f5es envolvendo fraude em contratos civis ou comerciais de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, bem como da licitude da contrata\u00e7\u00e3o de trabalhador aut\u00f4nomo ou pessoa jur\u00eddica. Entretanto, a decis\u00e3o destacada pelo TRT-18 indica que nem toda a\u00e7\u00e3o trabalhista envolvendo prestador de servi\u00e7o estar\u00e1 automaticamente abrangida por esse tema.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quando a controv\u00e9rsia exige an\u00e1lise dos fatos concretos da rela\u00e7\u00e3o, especialmente da forma como o servi\u00e7o \u00e9 executado no dia a dia, a Justi\u00e7a do Trabalho mant\u00e9m compet\u00eancia para examinar a situa\u00e7\u00e3o individualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as empresas, esse ponto \u00e9 essencial.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta estruturar contratos com cl\u00e1usulas de autonomia, aus\u00eancia de v\u00ednculo, liberdade de execu\u00e7\u00e3o, responsabilidade pr\u00f3pria do prestador e emiss\u00e3o de nota fiscal. Esses instrumentos s\u00e3o importantes, mas precisam ser acompanhados de pr\u00e1ticas internas compat\u00edveis com o modelo contratado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O risco trabalhista surge quando h\u00e1 desalinhamento entre o contrato e a opera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Empresas que contratam prestadores externos devem avaliar, com cautela, se a rotina de trabalho respeita a natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica escolhida. Isso envolve observar a forma de comunica\u00e7\u00e3o, a exist\u00eancia ou n\u00e3o de ordens diretas, controle de jornada, exig\u00eancia de pessoalidade, integra\u00e7\u00e3o permanente \u00e0 equipe interna, exclusividade pr\u00e1tica, depend\u00eancia funcional e aus\u00eancia real de autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 na contrata\u00e7\u00e3o de pessoas jur\u00eddicas, aut\u00f4nomos ou parceiros comerciais. Esses modelos s\u00e3o l\u00edcitos quando bem estruturados e corretamente executados. O ponto cr\u00edtico est\u00e1 em utilizar uma forma contratual empresarial enquanto a pr\u00e1tica di\u00e1ria se aproxima de uma rela\u00e7\u00e3o t\u00edpica de emprego.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>\u00c9 nesse espa\u00e7o entre contrato e realidade que nasce o passivo trabalhista.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do STF refor\u00e7a a necessidade de um compliance trabalhista efetivo, voltado n\u00e3o apenas \u00e0 revis\u00e3o documental, mas tamb\u00e9m \u00e0 governan\u00e7a da opera\u00e7\u00e3o. Contratos, pol\u00edticas internas, fluxos de contrata\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o de prestadores, registros de autonomia, modelos de remunera\u00e7\u00e3o e treinamento de gestores devem estar alinhados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a empresa precisa conseguir demonstrar que o prestador atua com autonomia compat\u00edvel com o contrato firmado. Essa demonstra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz apenas com cl\u00e1usulas contratuais, mas com evid\u00eancias concretas da execu\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O alerta \u00e9 especialmente importante para empresas que utilizam modelos recorrentes de contrata\u00e7\u00e3o de pessoas jur\u00eddicas, consultores, representantes, franqueados, parceiros operacionais, profissionais da \u00e1rea comercial, tecnologia, sa\u00fade, log\u00edstica, marketing e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os continuados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses ambientes, a informalidade gerencial pode comprometer a seguran\u00e7a jur\u00eddica de toda a estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Um contrato tecnicamente adequado perde for\u00e7a quando os gestores, na pr\u00e1tica, tratam o prestador como empregado. Por isso, o compliance trabalhista deve alcan\u00e7ar tamb\u00e9m quem opera a rela\u00e7\u00e3o no dia a dia: coordenadores, l\u00edderes, gerentes e diretores.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o deve ser lida como impedimento \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o empresarial de servi\u00e7os. Ao contr\u00e1rio, ela refor\u00e7a que tais modelos continuam poss\u00edveis, desde que sejam utilizados com consist\u00eancia, governan\u00e7a e ader\u00eancia \u00e0 realidade operacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto central \u00e9 simples: a empresa deve contratar conforme a lei, documentar corretamente e operar de acordo com aquilo que contratou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma discuss\u00e3o processual sobre o Tema 1.389, o precedente representa um chamado \u00e0 maturidade empresarial. A prote\u00e7\u00e3o contra passivos trabalhistas n\u00e3o est\u00e1 apenas no contrato, mas na gest\u00e3o cont\u00ednua da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo trabalhista, contrato \u00e9 ponto de partida.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica \u00e9 a prova.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Tribunal Regional do Trabalho da 18\u00aa Regi\u00e3o \u2014 not\u00edcia sobre a Reclama\u00e7\u00e3o Constitucional STF n\u00ba 86.571\/GO e o processo TRT-GO n\u00ba 0000818-22.2025.5.18.0301<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Ivo Rodrigues Neto A recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, noticiada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18\u00aa Regi\u00e3o, traz um alerta relevante para empresas que contratam prestadores de servi\u00e7os, aut\u00f4nomos, representantes, consultores ou pessoas jur\u00eddicas. 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